Livro Ametista - Capitulo 1
AMETISTA
Havia um
pequeno vilarejo de elfos, dentro de um círculo que era formado pelas águas
azuis e cristalinas que desciam da cachoeira, que dividia as montanhas atrás do
vilarejo; as montanhas verticais três de cada lado da cachoeira. Eram cobertas
pelo verde das plantas que nelas cresciam de forma que pouco se via do marrom
da terra, e das pedras que formavam as montanhas, onde o nobre grifo repousava
ao fim das tardes para sentir a brisa em suas penas, admirando o sol que aos
poucos ia se escondendo atrás das águas brilhantes da cachoeira; a cachoeira
alimentando as plantas e animais. A sua margem ao chegar ao solo se encontrava
com a ilha da grande árvore do vilarejo, e suas águas se dividiam escorrendo em
volta do vilarejo, formando um círculo que cainham em cascatas menores nas
bordas da entrada. E depois continuavam a escorrer em direção as matas; na
frente da cachoeira uma grande árvore que seu formato lembrava uma pessoa, sua
raiz externa formava um salão que era ocultado pelos seus cipós, e lá dentro os
líderes do vilarejo se reuniam; na entrada do vilarejo uma escada de pedras e
duas árvores formavam um portal; os guerreiros treinavam uns com seus arcos e
flecha a esquerda da entrada, outros com suas espadas e dardos a direita. Mais
a diante as casas que eram plantas, as paredes de madeira e o telhado era uma
grande folha que a cobria; mais ao meio a praça onde estava o mercado: ferreiro,
pescador, caçador, curandeira e todos os outros lá negociavam e
trocavam suas mercadorias. E bem no centro do vilarejo uma estátua da fada-mãe que era venerada e amada pela crença
daquele povo ficara rodeada por águas azuis, e por árvores floridas na margem
onde os passarinhos cantarolavam.
Neste lugar encantado, vivia uma menina chamada Ametista, ela era muito
bonita seus cabelos negros reluziam como o reflexo da lua cheia em uma cascata,
seus inocentes olhos eram azuis, como as águas das lagoas cristalinas e
brilhavam como diamante, Ametista assim como todos no vilarejo era uma elfa e tinha orelhas pontudas e pele roxa conforme a sua Tribo,
mas era diferente dos outros elfos, não só por ser uma criança muito linda,
pura e especial.
Em todo seu
corpo haviam vários desenhos azuis que começavam em sua testa e iam
descendo até mãos e pés, os desenhos na pele de Ametista eram belos e
como pinturas tribais de um azul similar ao das estrelas.
Mas as outras crianças não viam esta beleza em Ametista e a discriminavam e a
maltratavam, riam dela e a insultavam -
Rabiscada hahahaha zebrinha hahaha riscada hahahahahahaha – riam as crianças quando a viam, e a pobre menina que em sua
inocência não compreendia o por que as outras crianças faziam isso a ela.
Um dia desses Ametista estava sentada no chão chorando, e a sua volta crianças
riam dela. – Mas o que está acontecendo? – Disse em espanto a velha
curandeira do vilarejo ao ver aquela cena na frente de sua loja de coisas
místicas e medicinais. Ela saiu e foi em direção as crianças – DEIXEM MINHA
NETA EM PAZ – gritou ela, a velha curandeira se chamava Safira e era a avó de
Ametista.
Safira usava
um longo vestido branco com xalé de flores, abaixou-se na frente de Ametista e
com sua longa manga enxugou as lágrimas do lindo rosto angelical de sua netinha
– Você está bem? Minha flor de luz estrelar.
A vó parecia ter o poder de com seu amor e ternura fazer a neta simplesmente
esquecer que estava triste e voltar a sorrir – o que é uma flor de luz estrelar
vovó? – Perguntou a menina que já não mais chorava. A vó retribuiu o sorriso e
começou a contar a velha lenda da flor de luz estrelar...
FLOR DE LUZ ESTRELAR
A vó de Ametista chamava carinhosamente sua neta assim por considerá-la tão
linda, preciosa, e mágica quanto a flor de luz estrelar.
Naquela noite Ametista foi conversar com sua mãe na esperança de que ela lhe
explicasse por que aquilo acontecia com ela, e quem sabe ela até não tivesse
uma solução ou conselho para a menina. Então Ametista entrou em sua casa, que
como todas as outras era uma planta, as paredes eram o tronco e o telhado uma
enorme folha, uma escadinha de três degraus em losango levava à porta
que era tampada pelos cipós que desciam do telhado.
Rubi a mãe de Ametista era uma mulher muito bela e formosa, a mais formosa que
havia naquele lugar, um rosto lindo, cabelos negros e reluzentes, olhos azuis,
pele macia e sedosa, seios fartos, cintura fina, pernas e traseiros
avantajados; mas mesmo assim em seu olhar havia profunda tristeza e revolta.
Ametista removeu os cipós e foi entrando pela porta, viu sua mãe por trás
olhando pela janela e sem perceber que ela estava enxugando lágrimas fez sua
inocente pergunta – mãe... mamãe, por que as outras crianças não gostam de mim?
– Você ainda pergunta? – Respondeu Rubi com frieza.
- VOCÊ AINDA PERGUNTA? QUER DIZER QUE ALEM DE FEIA É UMA DÉBIL?! – Gritou
furiosamente Rubi vindo na direção de sua filha.
Rubi soltou a mão da menina, e se contraindo de raiva apontou para ela e
continuou a gritar – OLHA QUE COISA ESTRANHA! QUEM VAI QUERER BRINCAR COM UMA
ABERRAÇÃO COMO VOCÊ? VOCÊ, É ESQUISITA!!!
Então Ametista começou a chorar por ouvi aquelas coisas horríveis
de sua própria mãe; e sua vó que estava colhendo sementes de uma planta
medicinal, ouviu o choro de sua amada netinha foi ver o que estava acontecendo,
e ao chegar lá e entender o motivo do choro a vó e a mãe da menina começam a
discutir.
- Como você tem coragem de falar essas coisas horríveis
para sua própria filha? – Disse Safira indignada com o que estava
acontecendo, e concluiu – ainda mais que você sabe muito bem, o motivo pelo
qual ela tem isso!!!
- E daí. – Os olhos de Rubi começam a cintilar com
lágrimas. – Eu não pedi para ter isso – lágrima escore pelo seu rosto, a gota
percorre pela parte azul da pele de Rubi; sim as três tinham desenhos azuis por
todo o corpo. E com a voz trêmula pela emoção disse baixinho – eu não queria
ter isso! ... ... ... Eu sofro por ter isso! – Levantou a mão mostrando seus
próprios desenhos azuis, e gritou com muito ira – ESSA COISA QUE VOCÊ CHAMA DE
DOM NÃO PASSA DE UMA DEFICIÊNCIA GENÉTICA!!! A menina não conhece o pai porque
ele tem vergonha de assumir que se deitou com alguém como eu – disse cheia de
amargor apontando para Ametista.
Ametista estava confusa e
olhava para mãe e para a vó tentando entender alguma coisa. Então com muita
fúria Safira apontou o dedo na cara da filha e disse – VOCÊ NÃO SABE O QUE É
DEFICIÊNCIA! E NUNCA MAIS INSULTE A MIM E AS SUAS ANCESTRAIS. É GRAÇAS A ELAS
QUE VOCÊ ESTÁ AQUI!
Rubi cruzou os braços, ergueu a lateral da sobrancelha e
com um olhar de revolta e indiferença disse – Eu não pedi para nascer!
Então ela seca seu rosto com o braço e com violência lança
as lágrimas para o lado. Rubi vai para o quarto faz uma trouxa com seus
pertencem às pressas – o que você está pensando em fazer? – Disse
Safira tentando interromper, mas Rubi finge não ouvir e sai rapidamente de casa
deixando para trás sua mãe e sua filha sem dizer nada, e sem olhar para
trás!
- Vá com Deus, e que a Fada mãe ilumine seus
passos – sussurrou baixinho Safira enquanto via sua filha sair pelo portal do
vilarejo e sumir na escuridão da noite.
- A mamãe foi embora só por que eu sou feia? – Perguntou
ingenuamente Ametista transbordando em lágrimas. Safira ficou ainda mais triste
e inconformada ao ouvir aquele absurdo, estava
muito entristecida, mas ainda assim tentou aliviar o sofrimento da
sua amada neta, e com sua voz calma e terna disse.
- Não minha neta você não tem culpa nenhuma viu, tire isso da sua
mente.
Ametista ainda chorava com a cabeça baixa, Safira sentou-se
na frente dela ambas estavam na porta desde que Rubi havia partido. Ela
acariciou o rosto da neta enxugando as lágrimas e disse – sua mãe foi embora
porque ela quis! E você é a menina mais linda deste mundo! Minha flor de luz
estrelar.
Ametista sessou o choro e ergueu seus belos olhos azuis e
cristalinos para a vó – não fique triste não.... Eu vou cuidar de você!
Agora dá um sorriso bem bonito para a vovó- disse Safira.
E a menina atendeu e sorriu para sua vó mesmo que ainda
triste por sua mãe, elas então se abraçaram e Ametista deve sua tristeza dissipada
pelo calor e aconchego do colo da amorosa vó; Safira beijou a cabeça da neta
que acabara adormecendo, e olhando para o silêncio noturno sussurro – eu vou
cuidar de você...
Mesmo com todo o sofrimento de Ametista, as outras crianças
não a poupavam e continuavam a discrimina-la e maltratá-la. E um dia ela foi no
canto do vilarejo ao pé da montanha onde haviam muitas flores, Ametista colheu
algumas flores roxas da cor de sua pele, e espremeu as pétalas, extraindo um
caldo e ela pegou o liquido e começou a passar em sua pele para esconder os
desenhos azuis. – AMETISTA!!! Mas o que você está fazendo? – Gritou Safira
correndo em direção a ela, quando se aproximou apanhou rapidamente a barra do
vestido branco, com uma mão e com a outra o braço pintado da menina, - isso
mancha menina arteira! Você não sabia? – Disse Safira enquanto limpava a
neta.
- Eu só queria ser igual as outras crianças! Por
que aí elas não iam mais me chamar de nome feio e iriam brincar comigo. – Explicou
Ametista.
- Mas você não tem que ser igual ninguém. E quem
tiver que ser seu amigo de verdade vai ser do jeito que você é! – Disse Safira furiosa.
– Mas por que que eu tenho essas listras? – Perguntou
Ametista erguendo os olhos reluzentes para a vó, inclinando a cabeça como um
gatinho curioso.
Safira retomou seu olhar de ternura e com um sorriso
carinhoso sentou-se na grama, e a neta se sentou no colo dela...
Então a vó da menina colocou sua mão ao lado da mãozinha
dela, e Ametista viu que sua vó também tinha os mesmos desenhos azuis em seu
corpo.
Admirou-se Ametista ao ver aquilo - olha vovó você é igual
a mim! Por que temos esses rabiscos? – Perguntou
- Não são rabiscos Ametista, são linhas de transição. – Disse
Safira e paciente começou a contar a história para a neta - É uma herança
genética que é passada de mãe para filha, você herdou elas de sua mãe e sua mãe
herdou de mim e eu herdei da minha mãe e ela da mãe dela...
- Mamãe falou que isso era uma deficiência –
disse Ametista com cabisbaixo.
- Sua mãe não sabe o que diz, ela já sofreu muito
nessa vida e isso a feriu e amargurou, deixou ela assim. – Explicou tristemente
Safira olhando vazia e tristemente para baixo.
Mas então Safira voltou a olhar para Ametista, ergueu a
palma da mão para ela, olharam para a mão e enquanto Ametista reparava admirado
no desenho que a vó estava mostrando, em que linhas tribais formavam uma imagem
que lembrava uma das flores que Safira costumava usar para preparar suas
porções de cura.
- Esses desenhos são um dom dado por Deus a nós. Essas
lindas linhas em nosso corpo são o sinal do nosso poder! – E então os desenhos
azuis no rosto de Safira se acenderam emitindo uma bela luz branca e azul, e
sucessivamente foram se acendendo como num efeito dominó, os desenhos da
cabeça, nuca, pescoço, ombro, braço até chegar na mão; e então a luz que emanava
da palma da mão de Safira foi criando a forma de uma flor de luz azul. As
sobrancelhas da menina ergueram-se e seus olhos cintilantes arregalaram-se com
a surpresa refletindo a luz da flor, e um lindo sorriso se abriu em seu doce
rosto infantil. Ametista nunca havia vislumbrado algo tão encantador.
- Somos elfas magas. E devemos
ter orgulho disso e não vergonha, há coisas fantásticos e maravilhosas
que podemos fazer que as outras pessoas não podem. – Disse Safira
orgulhosa.
-E para que serve isso vovó? – Perguntou Ametista, Safira
olhou para ela, sorriu acariciando a cabeça da neta, fez menção para a menina
sair de seu colo, e logo em seguida Safira foi se levantando vagarosamente, se
apoiando no chão e no joelho e se colocou de pé e disse num tom alegre,
aventureiro e satisfatório como se houvesse um tempo que Safira esperava
ansiosa para que alguém lhe fizesse aquela pergunta, era como se aquelas
palavras fossem um mapa para uma aventura que levaria a um maravilhoso tesouro.
– Venha comigo... vou lhe mostrar!...
Então elas foram para casa, Safira fez uma trouxa com suas
roupas e Ametista também, elas pegaram suas coisas, Ametista nem perguntou
o porquê disso ela já tinha deduzido que estavam indo embora do
vilarejo.
E quando o sol se punha
por trás da grande cachoeira no meio das montanhas do vilarejo fazendo as águas
refletirem forte brilho dourado. Elas partiram...




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